Prática performativa relacional como pensamento-criação, ação-investigação e documentação sensível
"Nem tudo o que importa pode ser medido."
Este doutoramento em Educação Artística, desenvolvido na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, investiga criticamente os modos como a educação e as políticas culturais avaliam, legitimam e reconhecem a aprendizagem e a criação artística.
Em muitos contextos educativos, sociais e culturais (sobretudo nos marcados por diversidade linguística, corporal ou experiencial) os processos mais significativos de aprendizagem não se traduzem facilmente em provas, métricas ou indicadores de impacto. Gestos, silêncios, modos de presença, relações de confiança e deslocamentos subtis de atenção produzem conhecimento, mas permanecem frequentemente invisíveis nos regimes avaliativos dominantes.
A investigação parte de uma prática artística e educativa continuada em contextos não académicos e propõe afirmar o corpo, o silêncio e a escuta como modos legítimos de produção de conhecimento, sem os reduzir a instrumentos de mensuração ou evidência normativa.
Através da prática performativa relacional, entendida como pensamento-criação e ação-investigação, o projeto desloca o foco da prova para a presença, do resultado para o processo e da métrica para a relação. Em vez de responder às exigências avaliativas dominantes, procura interrogá-las criticamente a partir da prática.
A investigação desenvolve-se maioritariamente em contexto não académico, através de laboratórios de prática performativa relacional com diferentes comunidades: jovens migrantes, joves S/surdas/os, jovens com deficiência, mulheres e crianças em contextos de violência doméstica e grupos comunitários intergeracionais.
São mobilizados dispositivos de documentação sensível, como cartografias de presença e de relação, diários corporais, scores performativos, observação somática e documentação audiovisual ética, concebidos não para provar impacto, mas para acompanhar processos, respeitando a opacidade, a singularidade e o tempo próprio da experiência.
Complementarmente, integra-se um estudo de perceção baseado na Metodologia Q, utilizado como ponte estratégica para dialogar criticamente com discursos institucionais sobre avaliação, valor e legitimidade na educação e nas políticas culturais.